Foto: Castor Becker Júnior/Sindag

Em encontro sem precedentes, setor aeroagrícola, órgãos de fiscalização e entidades do agronegócio traçam ação conjunta

Ibama, Ministérios da Agricultura e da Saúde, Anvisa e Anac, além de entidades setoriais da soja, arroz, cana-de-açúcar e algodão, mais os representantes das indústrias químicas e outras instituições devem receber, nos próximos dias, um documento indicando estratégias de aproximação e melhoria da comunicação entre todos os órgãos. O foco é facilitar a troca de informações entre os entes governamentais e a cadeia produtiva e assim aprimorar a qualificação, facilitar o controle e melhorar a confiança no setor aeoragrícola. As estratégias foram debatidas na última semana, em um encontro que reuniu todos em Brasília.
O Worshop dos 70 Anos da Aviação Agrícola ocorreu em 28 de junho, no salão e eventos do Mercure Brasília Líder Hotel. A promoção foi do Sindag, com patrocínio do Sindiveg e da Syngenta. Durante todo o dia, a plenária assistiu as apresentações do Ibama, Anac, Ministérios da Saúde e da Agricultura – abordando desde legislação até ações de fiscalização e dados e a percepção de cada órgão sobre a aviação. Também falaram os representantes dos diversos setores do agronegócio sobre seus projetos gargalos e importância da aviação para as principais lavouras do País.
Por parte do setor aeroagrícola, os destaques foram as estratégias de segurança, a tecnologia existente no setor e as ações de boas práticas ambientais. “Agora, queremos juntar todas as pontas em uma em uma estratégia que garanta o desenvolvimento sustentável do setor aeroagrícola, ao mesmo tempo, eliminando os mitos que geram medo na sociedade”, explica o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle.

CENÁRIO
O Brasil tem a segunda maior frota aeroagrícola do mundo, com pouco mais de 2 mil aviões, segundo dados da Anac. A primeira operação aeroagrícola no País ocorreu em 19 de agosto de 1947, em Pelotas/RS. Hoje, apesar de ser o único setor de aplicação em lavouras que conta com regulamentação própria e de possui o pessoal mais qualificado – quase todos os envolvidos nas operações são técnicos, ter a maior tecnologia embarcada, o avião ainda é visto na maioria das vezes como uma agente poluidor.
“Os produtos aplicados por avião são também aplicados por terra e com os mesmos riscos. Mas a aviação é a ferramenta mais controlada”, assinala Colle. Porém, com tantas esferas de fiscalização, muitos agentes não conhecem as rotinas do setor. “Por outro lado, é importante também o setor entender as competências dos órgãos e fazer com que estes conversem entre si e todos os lados percebam a realidade de todas as pontas. Ou seja, a chave está na transparência e na comunicação”, conclui.