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O ano de 2016 passa para a história como um ano marcado por conflitos, exacerbação de opiniões, radicalismo nos enfrentamentos. Além de ter sido momento de uma crise econômica sem precedentes na história do Brasil, foi um ano difícil e complicado.
Ruim porque nós fomos mergulhando em uma crise tecida anteriormente por anos de desgoverno. Uma crise agravada pelo descontrole fiscal e onde fomos descobrindo, a cada novo instante, que o buraco estava ainda mais abaixo, que a situação era ainda mais grave.
Agora resta um enorme desafio de reconstituir a confiança, retomar a capacidade de investir. Mas só a médio prazo – isto se formos bem-sucedidos – teremos uma retomada do emprego no nosso País. Surpreendente é a reação de algumas lideranças que resistem às medidas duras necessárias, às mudanças indispensáveis.
Por outro lado, tivemos o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e toda uma série de conflitos ao mesmo tempo em que desenrolou-se a operação Lava Jato. Isso resultou em um novo governo federal que começou e ainda não se consolidou. Todos esses fatos caracterizaram também um momento desafiador, difícil do ponto de vista da Política no nosso País.
Fomos além disso, infelizmente. Pois as próprias instituições brasileiras nossos três poderes, quer seja pelo conflito entre elas, quer seja pelo seu desempenho, acabaram sendo questionadas. Isso fez com que o problema da credibilidade – que já era grande – fosse ainda mais aprofundado.
Não sou daqueles que ficam lamentando a situação. Acho, porém, que ter um preciso diagnóstico realista é indispensável para que efetivamente possamos ir adiante. E é isso que se impõe a todos nós neste momento.
O sinal de vida veio das eleições de outubro. Momento em que, de uma forma geral, o debate teve qualidade. Novas normas foram implantadas e isso enxugou a campanha, tornou-a menos perdulária e, portanto, passível de ser cada vez mais a real expressão da vontade popular.
Gostei que as eleições tiveram um grau de participação crítica muito acentuado. Elas foram um momento em que aquilo que pareceu prepotência, aquilo que pareceu presunção ou campanhas de valores exorbitantes foi superado pelas urnas.
De minha parte na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo devo dizer que o setor do agronegócio, mais uma vez, demonstrou a sua vitalidade. Foi o setor que mais resistiu à crise, manteve sua produtividade, segurou a geração de emprego e renda e salvou a lavoura.
Tivemos em 2016 uma Secretaria de Agricultura atuante, desenvolvendo iniciativas em sintonia com o produtor rural. Uma Secretaria que buscou enfrentar desafios que possam estabelecer uma nova forma de colocar a administração pública mais próxima do produtor e da sociedade, cumprindo uma das principais orientações do governador Geraldo Alckmin.
Conseguimos essa atuação com a implantação da sexta Chamada Pública do Programa Microbacias II, que fortalece associações e cooperativas de agricultores. Também com a implantação dos NITs, Núcleos de Inovação Tecnológica, nos nossos institutos de pesquisa para abrir as portas a novas parcerias com a iniciativa privada.
Atuante também pela participação ativa dos representantes das cadeias produtivas nas nossas Câmaras Setoriais, sempre abertas ao diálogo, a ouvir a demanda que vem diretamente de quem está mais perto da produção agropecuária.
Portanto, que se encerre logo o ano de 2016. E que, mais do que encerrar o ano, se encerre o radicalismo insensato da política, a pretensão daqueles que se dizem donos da verdade. Que nós possamos criar condições para que um reencontro venha em 2017!

Arnaldo Jardim é Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e deputado federal licenciado (PPS-SP)
28/12/2016