decio-gazzoni3

Foto: Divulgação
Existem muitos micro-organismos no meio ambiente que podem proporcionar benefícios às plantas. Os mais conhecidos são os rizóbios, bactérias que se associam com as raízes de leguminosas podendo fornecer a planta todo o nitrogênio necessário para seu desenvolvimento e produção. O fornecimento do nitrogênio ocorre através do processo de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) onde a bactéria consegue obter o nitrogênio do ar atmosférico e disponibilizá-lo às plantas em uma relação de simbiose.
A associação destes micro-organismos nas raízes das plantas de soja possibilita o cultivo sem a utilização de fertilizantes nitrogenados, pois toda a exigência de nitrogênio é fornecida pelas bactérias do gênero Bradyrhizobium. Este é um dos principais fatores de competitividade da soja brasileira no mercado mundial, pois se não tivéssemos essa tecnologia teríamos que usar fontes nitrogenadas das quais 70 a 80% são importados, aumentando significativamente o custo de produção da soja e possivelmente tirando a nossa competitividade neste mercado.
O Azospirillum é outro gênero de bactérias promotoras de crescimento em plantas, que devido à capacidade de fixação biológica de nitrogênio e produção de hormônios vegetais promovem um aumento no volume de raízes e na absorção de nutrientes e água. Os benefícios às plantas proporcionadas por este gênero levaram o pesquisador da Embrapa, Dr. Décio Gazzoni, a denominá-las como “Bactérias do Bem”.
Pesquisas da Embrapa com o uso de bactérias do gênero Bradyrhizobium e Azospirillum de forma associada, técnica chamada de coinoculação, na cultura da soja e no feijoeiro tem proporcionado ganhos na produtividade de 16,1% e 19,6% respectivamente.
O uso das “bactérias do bem” é uma tendência na agricultura brasileira e poderá proporcionar uma forma sustentável de produção.

Créditos:
* Roberto Berwanger Batista – Diretor técnico da Microquimica