Fotos: Leandro Gasparetti

Em um sitio de dois alqueires, situado na região sul de São José do Rio Preto, mais conhecido como Estância Pirajá, o casal Júlio César Machado de Campos e Isabel Cristina Sprangoski, junto com Mariana de Oliveira Campos, filha de Júlio e, três funcionários, cuidam das noventa vacas e algumas novilhas da raça jersey, a base da homeopatia, ou seja, produtos naturais há cerca de 10 anos. “Começamos a trabalhar com leite há 20 anos, mas há 10 anos resolvemos implantar a homeopatia em nossa propriedade, no início, não via muito retorno, demorou mais de seis meses para começar a ver melhoria nas vacas, que no começo sofriam muito com carrapato e outras doenças, além das moscas que não davam sossego” comenta Campos.
O início do uso da homeopatia foi preventiva para infecção como mastite, mamite e, infecções causadas pelo carrapato, mas depois passaram para a alimentação natural. “Ficamos cerca de sete meses sem aplicar a homeopatia e, a contagem de células somáticas – CCS, passou de 67 para 300, então, percebemos que a homeopatia ajuda na qualidade do leite e, indiretamente no queijo” explica Sprangoski. Sendo que quando a CCS do leite do tanque de expansão ultrapassa o valor de 200 é um indicativo de um possível problema de mastite no rebanho, que causa grande prejuízo ao produtor, como redução na produção de leite das vacas afetadas, gastos com medicamentos e técnicos, descarte de leite por presença de antibióticos, descarte prematuro de vacas, alteração na composição do leite (diminuição da gordura, caseína e lactose no leite).

O casal Júlio César Machado de Campos e Isabel Cristina Sprangoski (Foto: Leandro Gasparetti)

Na propriedade existem 54 piquetes que são divididos em três grupos de 18 piquetes, onde os animais mudam a cada dia e, depois de 18 dias eles completam a rotação e voltam para o primeiro, já com o capim crescido e pronto para alimentar o rebanho. Em época de seca, um talhão de meio alqueire de cana-de-açúcar complementa a alimentação. Para que os piquetes não acabem, o casal faz a correção com calcário e usa uma pequena quantidade de adubo, que também é natural. “O adubo nós colocamos camadas de esterco, folhas, fosfato de rocha, e aceleramos a decomposição com EM4, sendo que a cada 15 dias damos o “tombo” para entrar oxigênio, além de molharmos e, depois adubamos o pasto, para não empobrecer a terra” explica Campos.
Na verdade, as vacas comem um punhado de ração que é colocado num pequeno recipiente onde se mistura o remédio. É só neste momento que os animais, na hora da ordenha, ingerem um pouco de ração. Sendo que as vacas que estão para dar cria ficam em uma área separada, mais próxima da sede, um lugar com fácil acesso para dar assistência no nascimento do bezerro.
Já a vacinação, que é definida por lei como para brucelose, tuberculose, febre aftosa é padrão, além de fazerem o controle, apesar de não terem problemas, já que os animais são da propriedade e as crias geradas lá, continuam na propriedade no caso das fêmeas, já os machos são vendidos.
A constante atualização do produtor rural é importante para que sempre inove no campo e, consiga, mesmo que a longo prazo, resultados que não só satisfaça ao próprio produtor como também aos consumidores. “Os cursos oferecidos pelo Sindicato Rural de Rio Preto, em parceria com o Senar, que participamos como o pró-leite, agricultura orgânica, casqueamento de bezerro, manejo de bezerras, que auxiliam as famílias em um pedaço de terra a terem o seu sustento, criando gado de leite, além de ajudarem a abrir a cabeça e facilitar a vida do produtor rural” complementa Campos.

Produção
A retirada do leite é toda mecanizada, as vacas possuem uma sequência para retirada do leite e, durante o procedimento parte do leite já é separado para a produção do queijo e a outra parte será destinada para venda externa. A propriedade produz cerca de 40 a 50 quilos de queijo por dia, sendo produzidos os queijos fresco, meia cura, brie, awá, pirajá, parmesão, canastra, caburé, coalhada seca e ricota. E parte do leite produzido é vendido para a Associação de Produtores de Potirendaba, que revende para uma fábrica de queijos, sempre tendo uma constância no preço.


Fotos: Leandro Gasparetti

A escolha da raça Jersey

“A qualidade do leite da jersey é melhor que a do holandês, pois possui 20% a mais de cálcio, 30% a mais de sólido,
teor de gordura maior, o que acaba rendendo mais, agora em relação a quantidade, quem ganha é a holandês” explica Campos pela escolha da jersey para a produção de leite e queijo.
A raça é originária de uma pequena ilha chamada, Ilha de Jersey, na Grã-Bretanha, especificamente no Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França.
A chegada dos primeiros exemplares no Brasil aconteceu no Rio Grande do Sul, em 1896. O jersey é um animal altamente adaptável em qualquer canto do país, com uma ordem grande de pureza, senedo, hoje a segunda raça mais vendida em todo mundo.
Além disso, o jersey é considerada hoje uma das poucas raças que continua em ascensão e expansão no mundo todo. Não tem como não ter sucesso um produtor que se dedica a um bovino leiteiro que produz o leite com qualidade superior em termos de mais gordura, mais proteína e mais sólidos gerados do que as outras raças.