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Dia Mundial da Saúde, 07/04, é data para refletir sobre a saúde como uma só, sem barreiras entre a Medicina Humana e a Veterinária, no enfrentamento à crise sanitária global

O parque industrial de saúde animal brasileiro é estratégico para o combate à pandemia. Isso porque nele é possível a produção de centenas de milhares de doses de vacinas inativadas contra a Covid-19 para humanos. A contribuição do setor médico-veterinário pode acelerar a imunização da população contra a doença, além de reforçar o conceito de Saúde Única, no qual não há barreiras entre a Medicina Veterinária e a Humana.
Das plantas fabris de vacinas veterinárias do País, três possuem nível NB3+ de biossegurança e podem ser adaptadas para a produção de vacina inativada de coronavírus. “Para se ter uma ideia do que este patamar de segurança significa, bastaria elevar apenas um nível para que estas unidades possam trabalhar com o vírus Ebola”, comenta o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), o médico-veterinário Mário Eduardo Pulga.
Presidente da Comissão de Pesquisa Clínica Veterinária do CRMV-SP, a médica-veterinária Greyce Balthazar Lousana corrobora com a fala de Pulga ao comentar que “se uma vacina será produzida para ser utilizada em humanos ou em animais, isso não faz com que processos de desenvolvimento, produção, distribuição, utilização, monitoramento dos indivíduos que utilizaram tais produtos, relatos de eventos adversos, seja mais ou menos confiável.”
A alternativa foi foco de empenho em tratativas do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) junto ao Senado, ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao Instituto Butantan nas últimas semanas.

Expectativa

De acordo com o vice-presidente executivo do Sindan, o médico-veterinário Emílio Carlos Salani, tanto a Anvisa quanto o Mapa já colocaram esta avaliação como prioridade. “Estivemos em reuniões visando a aproximação dos gestores de fábricas que podem contribuir para com a produção de vacinas inativadas de coronavírus com os detentores da tecnologia destas vacinas”, explicou.
Salani ressalta que agora as empresas precisarão avaliar as possibilidades econômicas e de tempo de produção, bem como as autorizações regulatórias necessárias. Os próximos passos envolvem, ainda, fatores como análise da tecnologia e visita às plantas. “Acredito na viabilidade”, frisa.

Combate à febre aftosa e sua herança valiosa

O presidente do CRMV-SP explica que as três plantas de nível 3 de biossegurança produzem vacinas contra a febre aftosa para bovinos, “doença que eleva a régua de exigências de segurança, um fator determinante para as exportações.”
As vacinas contra febre aftosa estão inseridas no contexto do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (Pnefa), que teve diversas fases acompanhadas pelo vice-presidente do CRMV-SP, médico-veterinário Odemilson Donizete Mossero, que atuou no Mapa. “Todas as partidas produzidas são testadas não só na própria indústria, mas também pelos laboratórios do Mapa, após a colheita oficial de amostras. Ou seja, há uma dupla testagem em 100% das partidas produzidas”, pontua.

A indústria de vacinas veterinárias

De acordo com dados do Sindan, o parque industrial de vacinas veterinárias no Brasil soma 23 fábricas, das quais:

– 13 produzem vacinas para bovinos

– 11 produzem vacinas para aves

– 5 produzem vacinas para suínos

– 10 produzem vacinas para animais de companhia

São 39 linhas de produção nessas 23 fábricas

Fonte: Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo