Fotos: Leandro Gasparetti

As plantações de algodão ganharam uma força que não se via há muitos anos no Noroeste Paulista. O crescimento se dá pelo mercado atraente, com preços interessantes para quem cultiva. Como é o caso dos empresários e sócios, Osmair Guareschi e Iderval Aparecido de Oliveira, que ano passado plantaram 75 hectares, já para este ano o cultivo subiu para 1.400 hectares. “Metade da nossa produção será absorvida pelo mercado externo, que já foi negociado ano passado por R$ 100,00 a arroba e, a outra metade, já estamos comercializando no mercado interno, por R$ 81,00, a pronta entrega” comenta Oliveira.


Iderval Aparecido de Oliveira

Os produtores estão com a expectativa de colher cerca de 300 arrobas por hectare.
O Noroeste de São Paulo já foi um dos principais polos de produção de algodão do Estado. Há 15, 20 anos atrás, a cultura ocupava boa parte da área destinada à agricultura. A produção atual de algodão na região, no entanto, representa apenas 1,8% do total do Estado, com 1,7 milhão de arrobas. Conforme o International Cotton Advisory Committee (Icac), o consumo mundial e a produção podem se elevar, essa perspectiva, possivelmente, influenciou na decisão dos produtores regionais no momento do plantio, dado que também segundo a mesma fonte, os estoques mundiais têm decrescido nos últimos três anos. “Pretendemos aumentar nossa produção nos próximos dois anos, já que o mercado está aquecido” comenta Guareschi.

O beneficiamento é feito na algodoeira A.G.O., em Valentim Gentil, sendo que a pluma é prensada em blocos que variam de 180 a 200 quilos, onde cada bloco tem uma parte que é separada para análise, após análise, se determina se aquele bloco será utilizado no mercado interno ou externo. “Para exportação, existem algumas especificações que tem de ser cumpridas, como a espessura do fio, além de outros aspectos, caso não sirva para exportação, será utilizado no mercado interno” explica Oliveira. A algodoeira deve beneficiar cerca de 100 toneladas por dia.
O caroço do algodão será utilizado para a ração animal e para a produção de óleo. “A máquina separa os caroços, que serão destinados para a ração animal, muito utilizado entre os criadores e, para a produção de óleo, então, do algodão não se perde quase nada, a perca varia de 10 a 15%, o restante é aproveitável” explica Guareschi.


Osmair Guareschi

Caroço de algodão na alimentação animal
O caroço de algodão é um subproduto obtido nas máquinas algodoeiras, após a retirada da pluma tem grande utilidade na nutrição de ruminantes. Sua composição bromatológica varia principalmente em função da proporção de linter, que são as fibras de celulose que restam aderidas ao caroço, depois que a pluma é extraída. O teor de umidade também é bastante variável. Quando o algodão é colhido mais maduro, geralmente o teor de umidade é menor.
O caroço de algodão é considerado um alimento muito palatável para ruminantes, e completo, já que reúne características de alimento volumoso (cerca de 18% de FB na MS), de concentrado protéico (cerca de 20% de PB na MS) e de concentrado energético (rico em energia).

Óleo de algodão
O processo de obtenção do óleo de algodão consiste na abertura do caroço para obtenção do grão, esmagando o grão e extraindo o óleo por prensa hidráulica ou por extração química. A coloração escura leva à necessidade de refino térmico, sendo que a clarificação é a fase de maior importância na determinação da qualidade e estabilidade do produto final, onde é submetido a três etapas para a total clarificação.
O óleo de algodão tem um leve sabor de castanha, geralmente é límpido de cor dourada claro ao amarelo avermelhado, como os demais óleos seu grau da cor depende do grau de refinamento, sendo rico em tocoferol, um antioxidante natural no qual possui variados graus de vitamina E.
O óleo e muito utilizado na alimentação, como óleo para saladas, é usado em maioneses, molho de saladas e marinados. Como óleo de cozinha é usado em frituras, tanto em cozinhas comerciais como nas caseiras, em margarinas é ideal para se obter bons cozidos ou bolo.