Foto: Pixabay

O período recente tem sido muito desafiador para a citricultura do estado de São Paulo e do Triângulo Mineiro, segundo aponta o Especial Citros de 2022, da edição de maio da revista Hortifruti Brasil, publicação do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

Nos dois últimos anos, o clima desfavorável – tempo seco e quente e as geadas no inverno de 2021 – prejudicou a produtividade e elevou os custos de produção. Mais recentemente, citricultores, assim como produtores de outras commodities agrícolas, enfrentam uma trajetória de intensa alta nos valores dos insumos. Esse contexto tem impulsionado os custos de produção da citricultura na temporada 2022/23 e pode comprometer novos investimentos em renovação de pomares e também a manutenção do manejo adequado.

Os elevados preços dos insumos em 2022 estão atrelados a problemas enfrentados durante a pandemia de covid-19, que limitaram a produção e a comercialização de diversos itens agrícolas, e ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia, importantes fornecedores globais de fertilizantes.

Dentre os insumos, o destaque é o fertilizante. As altas sucessivas nos preços médios desse insumo ao longo de 2021 já vinham deixando produtores brasileiros em alerta. Em 2022, no entanto, o movimento de avanço nos valores do insumo foi intensificado, diante da guerra no leste europeu. Assim, a tonelada do fertilizante superou os R$ 6.000,00 no mercado brasileiro.

Simulação realizada pela Equipe de HF do Cepea mostra que o gasto com fertilizantes por hectare pode subir até 75% na safra 2022/23 frente à anterior. No geral, o custo total orçado para um determinado perfil de produção na temporada atual representa aumento médio de 27% frente à safra anterior.

Diante disso, mesmo com a expectativa de aumento médio do preço da laranja, o patamar mínimo de produtividade da atividade terá que crescer ainda mais para poder remunerar a citricultura. E isso é um grande desafio, tendo em vista que seria necessário investir mais ao mesmo tempo que as margens de lucro estão estreitas.

Fonte: Cepea

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