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Expedição terá início na próxima segunda-feira, dia 1º de julho, e percorrerá cerca de 50 mil km nas principais regiões de pecuária de corte

São Paulo, 26/06/2019 – O impacto da peste suína africana na China vai mexer com o mercado mundial de proteínas beneficiando as exportações de carnes brasileiras. Nem mesmo a ocorrência do caso atípico de BSE (encefalopatia espongiforme bovina) foi suficiente para frear a demanda pela carne brasileira. A especulação de que a China reduziria drasticamente as importações durou pouco. Em poucos dias, o país anunciou o retorno às compras, cenário que favorece os preços.
Pelo lado dos custos de produção, a apreensão fica por conta da safra norte-americana. Até maio, o cenário de grãos era favorável à produção de proteínas, com expectativa de queda nos preços do farelo de soja e de milho no Brasil. No entanto, à medida que novas informações sobre a produção dos Estados Unidos são divulgadas, as projeções de preços são atualizadas para cima.
“Por ora, as projeções de custos das rações de engorda ainda são favoráveis aos pecuaristas”, afirma Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro, organizadora da expedição em parceria com a Agroconsult. Conforme estimativas preliminares, os custos da dieta de confinamento em 2019 ficarão em torno de 0,5% abaixo dos registrados em 2018.
É nesse cenário que a 9ª edição do Rally da Pecuária vai a campo, na próxima segunda-feira, dia 1 de julho.
Com os preços do gado em alta, a relação de troca irá favorecer os pecuaristas. Porém, nem todos serão beneficiados. Segundo Nogueira, os resultados dos produtores de média tecnologia no Brasil aumentarão na faixa de R$10 a R$20 por hectare, enquanto os de alta produtividade obterão resultados cerca de R$600 a R$700 a mais por hectare. “Os preços mais altos favorecem os produtores com mais animais para vender”, reforça o consultor.
O mesmo raciocínio vale para a relação de troca. “Ainda que os preços da arroba do boi gordo sejam favoráveis à compra de milho e farelo de soja, por exemplo, os benefícios só serão colhidos entre aqueles produtores que usam os insumos. E o uso ocorre à medida que o pacote tecnológico aumenta”, salienta André Pessôa, sócio diretor da Agroconsult.
Os organizadores do Rally da Pecuária também estimam que apenas 7% dos produtores tenham, atualmente, condições de competir com boas lucratividades no ambiente pecuário. Os dados, projetados a partir do cruzamento entre as estatísticas oficiais e as pesquisas de campo da expedição, são preocupantes. “Infelizmente, a maior parte dos pecuaristas brasileiros está em crise, com poucas condições de permanecer no mercado. A maioria em situação irreversível. Apenas outros 15% do total teriam condições de operar com competividade, caso políticas públicas eficazes fossem implementadas”, lamenta Maurício Nogueira.

E a concentração não atinge apenas os produtores. O setor frigorífico também vive um momento delicado. O abate brasileiro deve ser reduzido no total, embora haja crescimento no abate dos frigoríficos fiscalizados. Em comparação com o primeiro trimestre do ano anterior, os frigoríficos com fiscalização federal ampliaram a quantidade de abate de machos e novilhas, enquanto os de fiscalização estadual elevaram a participação de vacas e os municipais perderam espaço.
O comportamento indica que o abate informal também foi reduzido, o que deve aumentar a competição pela matéria prima ao longo do ano. O cenário favorece os frigoríficos com melhor posicionamento nas exportações e no mercado de carne desossada. “O ambiente de margens em queda tende a concentrar os mercados”, lembra André Pessôa. Segundo estimativa da Athenagro, o Brasil deverá exportar entre 2,45 e 2,55 milhões de toneladas de equivalente carcaça de carne bovina, o que representa crescimento de 12% a 14% sobre 2018.

ROTEIRO
A expedição técnica concentrará o roteiro em cerca de 50 mil quilômetros nas principais regiões pecuárias de 10 estados: Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Pará, Mato Grosso e Rondônia. As equipes realizarão 8 eventos com pecuaristas e profissionais do mercado com o tema: É tempo de colheita! A pecuária em fase de alta. Tendências de mercado, estatísticas atualizadas e análises dos números da pecuária já com inteligência de mercado gerada pelo Rally serão discutidas durante os eventos e as 14 oficinas da produtividade, encontros e debates com produtores e técnicos ao longo do trajeto.
A Equipe 1 sairá de Porto Alegre no dia 1º de julho e visitará as regiões de Pelotas, Dom Pedrito, Alegrete e Santa Maria até o dia 6. Já a Equipe 2 estará no Paraná entre os dias 7 e 8, nas regiões de Cascavel e Umuarama, seguindo então ao Mato Grosso do Sul, para avaliar as regiões de Caarapó e Jardim, concluindo a etapa em Campo Grande no dia 12. No dia 21 de julho, a Equipe 3 sairá de Cuiabá (MT) com destino às regiões de Cáceres, Barra do Bugres, Mirassol D’Oeste, Pontes e Lacerda e Comodoro, chegando então a Vilhena (RO), no dia 27. No dia seguinte, a Equipe 4 iniciará as visitas nas regiões de Rolim de Moura, Ji-Paraná e Ariquemes, finalizando o trecho em Porto Velho no dia 1º de agosto.
Os técnicos da Equipe 5 começarão os trabalhos em 12 de agosto em Marabá, no Pará, percorrendo as regiões de Xinguara e Redenção. Nos dias 16 e 17, avaliarão a região de Araguaína, no Tocantins. A partir do dia 18 de agosto, a Equipe 6 estará em Palmas e Peixes, também no Tocantins, seguindo então para Goiás, nas regiões de São Miguel do Araguaia, Mozarlândia e Jussara, finalizando os trabalhos na capital, Goiânia, no dia 24.
A Equipe 7 sairá de Goiânia no dia 2 de setembro, com destino a Minas Gerais, onde visitará áreas em Prata e Iturama. No dia 5, chegará a Barretos e concluirá as atividades de campo em Marília, no dia 6. Até o dia 12 de setembro, serão finalizadas as análises dos dados obtidos em campo.
O Rally da Pecuária é organizado pela Athenagro e pela Agroconsult e patrocinado por Corteva Agriscience, Ourofino Saúde Animal, Bellman Trouw Nutrition, Santander e Amarok / Volkswagen, com apoio do Webmotors, FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), ABIEC (Associação brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e JetBov.